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Gentílico: Valenciano
Histórico
Valença foi um dos municípios mais importantes da região do Médio Paraíba, sendo muito influente na província do Rio de Janeiro, tanto que recebeu a visita dos dois imperadores do Brasil no século XIX. D. Pedro I visitou o aldeamento que seria a cidade de Valença ainda em 1822, e quando se tornou imperador elevou a aldeia à categoria de vila no ano de 1826 (PREFEITURA VALENÇA, 2022). Já o imperador D. Pedro II visitou Valença em 1848, sendo recebido no prédio da câmara municipal.
Valença se destacou muito durante o ciclo do café no Vale do Paraíba, onde a mão de obra escrava era utilizada em larga escala e isso implicou numa série de revoltas dos escravizados na região. A Biblioteca Nacional guarda em seus acervos um documento datado do ano de 1831, onde fazendeiros e moradores do município denunciam uma conjuração dos escravos ao imperador. O documento é riquíssimo em detalhes e está digitalizado no site da Biblioteca Nacional. Valença, assim como todas as outras vilas da região, mantinham uma intensa exploração da mão de obra escrava no cultivo do café e isso perdurou por décadas, ocorrendo inúmeros conflitos como o descrito pela fonte. O café foi um grande destaque da chamada “Princesinha da Serra”, apelido dado justamente pelas riquezas acumuladas pelos barões do café. A cidade ainda conserva diversas fazendas de café que guardam esse passado escravocrata e cafeeiro.
O século XX foi transformador para a cidade de Valença. Inúmeras modernidades chegaram, como uma companhia de luz elétrica no ano de 1907. Segundo a Prefeitura Municipal de Valença (2022), em 1922 chegou na cidade o primeiro automóvel: um táxi Ford, modelo 1921, cujo proprietário e motorista era José Maria Pereira. Além disso, foram inaugurados teatros, museus, linhas de ônibus e a cidade conviveu com o futuro e o passado, marcado pela sua arquitetura oitocentista e cafeeira.
Uma curiosidade histórica peculiar sobre a cidade, em 2022, é o fato da alteração da data de aniversário de Valença. O aniversário da cidade era comemorado todo dia 29 de setembro, data que marca a elevação da vila à categoria de cidade. No entanto, a Lei nº 3.361/22, de 17 de março de 2022, alterou o aniversário da cidade para 17 de outubro de 1823. A justificativa é que o dia 17 de outubro de 1823 marca a instalação da câmara municipal na cidade, o dia 29 de setembro representaria apenas o aniversário do distrito sede.
Geográfico
Assim como a maioria das cidades no médio Vale do Paraíba, a história de Valença se inicia com a formação de uma freguesia em 1807. Inicialmente Valença foi subordinada aos municípios de Resende e Rio Claro, que eram as “grandes” cidades da época. Pouco a pouco o município vai crescendo e adquirindo importância na região. Entre os anos de 1823 e 1826 se tornou uma vila e ao longo dos anos adquiriu distritos, tornando-se uma cidade de fato em 1857. No século XX, por um curto período, o nome da cidade se alterou para Marquês de Valença, voltando ao nome original (Valença) em 1959. O território do município se alterou consideravelmente ao longo dos 200 anos da independência e hoje a cidade possui 06 distritos, sendo eles: Valença, Barão de Juparanã, Conservatória, Parapeúna, Pentagna e Santa Isabel do Rio Preto. (IBGE, 2022).
Social
O oitocentos em Valença foi marcado por disputas territoriais entre os nativos Coroados e os fazendeiros que se assentavam na região. Além disso, a escravidão, com a exploração da mão de obra escrava nas lavouras de café, estiveram presentes até 1888 e muitos quilombos foram formados neste período. O status de Valença como “Princesinha da Serra”, foi construído em cima do trabalho escravo e do extermínio dos indígenas que habitavam a região e é muito importante termos isso em mente quando falamos do desenvolvimento social e econômico da cidade de Valença e, isso aconteceu em muitas outras cidades do médio paraíba. A escravidão sustentou todo o ciclo do café.
O século XX representou avanços no município, mas assim como no restante do Brasil, o negro enfrentou dificuldade para se integrar à sociedade, tal como analisa Carlos Eduardo Coutinho da Costa (2015). Os indígenas Coroados desapareceram quase que por completo, e os que sobreviveram precisaram se encaixar em uma sociedade excludente, onde tiveram que abandonar seus hábitos e costumes, tal como ressalta Marcelo Sant’Ana Lemos (2004).
Em 2022, Valença conta com uma população miscigenada (IBGE, 2022), e que, em certo grau, descende desse passado cafeeiro de resistências. Existe ainda hoje o quilombo de São José da Serra sendo um dos “(…) mais antigos do Estado do Rio de Janeiro, tendo sua religiosidade como um ponto de característica forte.” (BARCELLOS, 2019, p.22). Neste quilombo acontece tradicionalmente a Festa do Jongo, próximo ao dia 13 de maio, data que marca a abolição da escravatura.
Num aspecto cultural, o distrito de Conservatória é popularmente conhecido como “Terra da Seresta”, pelas famosas serestas e serenatas que acontecem pelas ruas do distrito desde meados do século XIX.
Hino da cidade:
SALVE A GRAÇA DE QUEM SENTE
QUANTO É GRANDE O CRIADOR,
PORQUE SÓ SENTINDO-SE A GENTE
SE ENCAMINHA AO VÉRO AMOR!
GLÓRIA AO FILHO QUE OS SEUS AMA
E QUE OS SABE MERECER,
PORQUE ESPALHA A LINDA CHAMADA
DE BENÉFICO DEVER!
A LUZ DO CÉU DE VALENÇA
É MILAGROSO FANAL:
SER FILHO TEU, QUE HONRA IMENSA,
Ó MINHA TERRA NATAL!
VENTUROSO O QUE A IMAGEM
DO PAÍS NA ALMA CONDUZ.
PORQUE, LONGE DE SELVAGEM,
SEU ROTEIRO ENCHE DE LUZ!
HONRA A QUEM CULTUA, ETERNA,
AO CALOR DO CORAÇÃO,
A MIRÍFICA LUZERNA
DO SEU DÚLCIDO RINCÃO!
A LUZ DO CÉU DE VALENÇA
É MILAGROSO FANAL:
SER FILHO TEU, QUE HONRA IMENSA
Ó MINHA TERRA NATAL!
NENHUM POVO SE ENGRANDECE,
SE SEVIL OU SE INCAPAZ
NOSSA TERRA, LIDA E CRESCE,
PARA TUA GLÓRIA E PAZ!
SÊ MODESTA, MAS ALTIVA
A LUTAR SEMPRE DE PÉ,
QUE O PROGRESSO SE CULTIVA
COM VERDADE, AMOR E FÉ!
A LUZ DO CÉU DE VALENÇA
É MILAGROSO FANAL:
SER FILHO TEU, QUE HONRA IMENSA
Ó MINHA TERRA NATAL!